segunda-feira, 2 de março de 2009

Dois pesos e duas medidas


A "Ditabranda"


A Folha de S. Paulo, em editorial, chamou a Ditadura Militar (odeio quem usa a expressão "Regime") de "Ditabranda". Uma terrível cagada, para não dizer coisa pior. Não é segredo para ninguém o fato de que nenhum órgão de mídia realmente combateu a Ditadura antes de ela demonstrar claramente perda de força.
Toda indignação é pouca. E também bastante hipócrita! Vamos combinar que as principais lideranças políticas brasileiras há mais de 20 anos tem escolhido conviver pacificamente com nosso passado ditatorial. Em várias ocasiões até mesmo elogios surgem. O próprio Lula no final de 2006 disse que a ditadura brasileira não foi tão violenta. Isso não é muito diferente de chama-la de "ditabranda", é?
E enquanto tudo isso acontece, continuamos a passar em rodovias, avenidas e pontes com nomes de presidentes da Ditadura. Ora, ou renegamos envergonhadamente a nossa Ditadura, ou esquecemos do assunto de uma vez por todas. Ficar nesse chove e não molha já encheu o saco.
MST
O presidente do STF, Gilmar Mendes, disse que repasses de verbas governamentais a entidades que cometem ilegalidas é algo ilícito. Referia-se ao MST, cujos afiliados (ou sei lá qual o termo) assassinaram quatro pessoas. É claro que a "esquerda" está indignada com a declaração. Ah, mas era só o que faltava!
O MST é um movimento importantissimo na história do Brasil. Foram sim as suas invasões que abriram os olhos da sociedade à questão fundiária, da mesma forma que as greves do ABC na década de 70 fizeram com a questão operária. O problema é que o movimento continua seguindo cegamente alguns líderes que ao longo dessas últimas décadas tomaram rumos bastante equivocados. Basta ver quantos pedidos de prisão já houve em nome de José Rainha. E não me venham com essa pataquada de que é tudo perseguição. Ao não renegar os crimes de seus líderes, o MST como movimento tornou-se cúmplice (ao menos aos olhos da opinião pública).
No movimento LGBT tantas entidades que fazem trabalhos tão sérios ficam impedidas de receber repasses enquanto não prestarem contas de cada centavo, com inúmeras restrições burocráticas pesando sobre elas. Mas, claro, as lideranças do movimento ligadas ao PT defendem que o MST possa receber verbas oficiais para invadir e agora até para matar. Não dá!
Aliás, que país é esse em que as Organizações Não Governamentais são sustentadas pelo Governo?
E a ABGLT?
No meio da campanha eleitoral pela Prefeitura de São Paulo, em 2008, a candidata Marta Suplicy usou de propagandas homofóbicas para tentar atingir o prefeito Gilberto Kassab. A ABGLT - Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais ficou do lado de Marta, ressaltando sua história de "defesa dos LGBTs".
Na semana retrasada o governador José Serra criou uma coordenadoria LGBT no Governo do Estado de São Paulo e a ABGLT calou-se.
Conclusão:
A relação entre movimentos sociais e governos é completamente doentia porque é intermediada por partidos. Vários movimentos socias tem militantes pagos por partidos como o PT e o PC do B. Eu posso até acreditar na crença ideológica de alguns deles, mas não há como achar que a intenção desses partidos possa ser qualquer uma que não a deturpação dos objetivos desses movimentos!
Se um partido quer ajudar um movimento social, que abra espaço dentro do partido para esse movimento, em vez de querer ocupar espaços do movimento com pessoas do partido.

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