
Muito trabalho, cada dia mais perto de março faz minha vida piorar.
Pós-graduação, cada vez mais textos se empilhando enquanto eu não tenho tempo e nem tanto ânimo.
Limpeza, desde que a faxineira pediu demissão feladaputamente.
Pesquisas, elaborando o roteiro da viagem que vai ser simplesmente perfeita.
Tempo livre? Ah, sim, é aquele fiapo que eu divido entre namorado, família, amigos, pendências pessoais, etc etc.
Os livros do Slavoj Zizek que eu comprei ainda me olham carentes do criado-mudo. Até o Santiago Nazarian, cuja função era exatamente não me deixar pensar muito, ficou no meio do caminho.
Meu piano virou um mero móvel.
O laptop não sabe se divertir, o Playstation se sente subutilizado.
Passa Mostra de Cinema, Festival Woody Allen, Festival Mix Brasil, e eu só lamento não ter tempo.
Quase passa o AC/DC... mas aí já seria demais.
Ainda bem que a Luna e a Kayra só precisam de um pouco de colo. Ainda bem que a rua Augusta está sempre lá, com cadeiras livres, cervejas geladas e amigos de braços abertos.
Ainda bem que há sempre bom humor.
Ainda bem que às vezes eu paro o mundo e desço para descansar. Depois eu volto.
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